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Chupinhando

Posted in Vida by denisol on setembro 5, 2008

Tudo bem que o João é o meu marido, e por isso tenho uma tendência quase que natural em “puxar o saco” dele. Mas é que ele sempre escreve aqueles textos que eu gostaria de ter escrito. Quem me conhece sabe que o “Obrigado seu filho da puta” é o meu favorito. Não foi muito difícil de escolher.

Essa semana ele escreveu o meu segundo texto favorito de todos os tempos. Saudades de mim. Confesso que foi difícil conter as lágrimas ao chegar no final do post. Fico pensando, por que diabos eu não escrevi esse texto! Pois bem, vou fazê-lo. Na maior cara-de-pau, segue a minha versão “chupinhada”:

Saudades de mim

A vida vai carregando a gente para lá e para cá, mudando nossos hábitos, distorcendo nossas mentes, enraizando conceitos, nos deixando mais conscientes mas mais cautelosos. Vamos aos poucos trocando de opiniões, atualizando objetivos, mudando de lugar, conhecendo gente. A transformação é quase sempre linear, contínua, imperceptível no dia-a-dia. Vestibulares, formaturas, promoções, casamentos, são eventos que apenas simbolizam os movimentos lentos da nossa vida.

De repente você se pega lembrando de coisas que fazia e dizia, de pessoas que eram importantes, de idéias e músicas que achava geniais, de dilemas que lhe tiravam o sono, e se surpreende de ser você a personagem daquelas histórias. A nostalgia seria quase uma fantasia da nossa cabeça, não fossem as fotos nos ábuns empoeirados e os discos esquecidos na prateleira, únicas provas concretas de que o passado realmente aconteceu.

Pois às vezes me dá saudade daquela pessoa. Ou melhor, daquelas pessoas. A Denise de 1999, de 2002, de 2005, de 2007, das viagens para Caculé durante as férias, das viagens de corsinha para a praia com a Julinha, a Ana e a Manu, do Santa Maria, do Liceu, da rotina Mackenzie / estágio / academia, dos treinos da Atlética (que eu quase nunca ia), dos jogos da Atlética (que eu sempre ia), no prédio da Sete de Abril (abençoada por um Ventisilva), dos almoços com a Sílvia e a Camila, com a Cris, Fernando, JC, e cia, do Mate com Leite no final da tarde, dos papos engraçados com o Mano do Trem, no trem, dos show da Cowbell, todos os domingos no Corleonne, dos lanches no News depois dos shows, das cervejas às quartas na Paulista com os gringos, do Algueirão, do Bairro Alto, das idas a Londres quase todos os finais-de-semana, das discussões infinitas com os meus pais…

Por que eu tenho saudades de mim mesma? Teria eu sido mais feliz naqueles tempos? Certamente que não. Mas essas Denises me trouxeram para onde eu estou hoje. Todas aquelas histórias sobrevivem apenas na minha memória – sim, as pessoas que estavam comigo também são outras hoje – e são de fato a única coisa que a gente leva dessa vida.

Talvez para mim seja pior, pois eu não tenho mais acesso a essa gente toda. Um vôo de 11 horas me separa da oportunidade de sentar com eles de novo, naquelas mesmas cadeiras de outrora, para relembrar esses momentos. A impossibilidade do reencontro exacerba as saudades. As saudades do meu país. As saudades dos meus pais. A saudade de mim.

Em algum ponto do futuro eu também terei saudades dessa Denise de 2008, aquela de Londres, começando uma vida com o João, que assistia Grand Designs, que viajou para Dubai e que chupinhou posts como este.

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4 Respostas

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  1. Antonio said, on setembro 5, 2008 at 12:27 pm

    Sensacional acho que é a melhor palavra pra dizer. Como não me identificar com um texto desse? Não dá. Melhor terminar por aqui, para não acabar com a poesia.

  2. Beth Q. said, on setembro 5, 2008 at 3:17 pm

    Que “chupinhada” mais bem-feita, garotinha!
    Pressinto que há um certo ar de nostalgia e saudades do chão tupiniquim.
    Tá na hora de fazer uma visitinha, quem sabe!
    beijos cariocas

  3. As aventuras de uma brasileira no Egito - Barbrinha said, on setembro 7, 2008 at 10:51 am

    Tem dias que da uma saudade, que chega a doer no peito neh?

    Tbem sinto saudades das Barbrinhas de outrora….hehhehhe

    Beijos e fiquem com Deus

  4. falcao007 said, on setembro 8, 2008 at 1:44 am

    Eu também comentei no Blog do João, é fantástico como nos identificamos com este post, parece uma poesia , uma bossa nova.


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