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Vamos ser tolerantes?

Posted in Mundo by denisol on julho 22, 2008

Questão bicuda: a Alemanha tem 163 mesquitas para seus 3 milhões de muçulmanos. Mas 163 mesquitas não chegam. Informa a revista “Der Spiegel” que mais 184 mesquitas vêm a caminho, uma realidade que não agrada à maioria dos alemães. Os alemães não desejam a “islamização” do seu espaço público. E temem que as mesquitas sejam centros de propagação fanática ou de recrutamento terrorista.

Os confrontos já começaram. Em Lavingen, por exemplo, cocktails Molotov são recorrentemente jogados na mesquita da cidade. Em Hanover, opta-se pelo insulto verbal, com o dito “Terra christiana est”, qualquer coisa como “Essa é terra cristã”, escrito nas paredes do edifício.

Mas notável é a projetada mesquita de Colónia, que será a maior de toda a Europa, com seus 22 mil metros quadrados, 55 minaretes, uma altura comparável a 18 andares e, imagino eu, o inevitável chamamento para a oração que cobrirá toda a cidade com os dizeres do Corão. Como responder ao problema social que as mais de três centenas de mesquitas começam a representar para os alemães?

Um liberal clássico, para quem o Estado deve ser sempre neutro perante diferentes concepções do bem, dirá consequentemente que o Estado é também neutro em matéria religiosa. Se não existe uma religião oficial, então não existe nada que impeça os muçulmanos europeus de construírem as mesquitas que entenderem (desde que, obviamente, respeitem as leis do Estado). Sim, seria improvável que uma comunidade cristã, ou judaica, pudesse construir uma mega-igreja, ou uma mega-sinagoga, no centro de Teerã. Isso seria um pecado de morte, punível com a terapia conhecida. Mas a diferença entre as democracias liberais do Ocidente e as teocracias corruptas do Oriente Médio reside precisamente aqui: a tolerância é um dos mais preciosos frutos da separação entre o Estado e a Igreja, inexistente no Islã. Uma mesquita, uma sinagoga, uma igreja: tudo é igual perante um Estado confessionalmente neutro.

Eu simpatizo com os liberais clássicos. E não pretendo repudiar o dogma da neutralidade do Estado perante diferentes concepções do bem. Pelo contrário: gostaria de o ver reforçado. E a melhor forma de reforçar as virtudes liberais seria permitir a construção de uma mesquita, integrando-a plenamente na natureza diversa das cidades ocidentais. Nada de guetos. Nada de áreas especificamente islamizadas. Nada de tratamento especial. A permissão seria concedida se as autoridades islâmicas aceitassem que as suas mesquitas teriam como vizinhos imediatos uma sinagoga, uma sex shop, um café (para ambos os sexos), salas de cinema, livrarias, açougues (com todo o tipo de carnes), lojas de vinhos (bem fornecidas) e, uma vez por ano, a parada gay a desfilar à porta.

A tolerância é um valor crucial. Mas a tolerância termina perante a intolerância dos outros. Aceitar mais uma mesquita? Nada contra. Desde que a mesquita aceite todo o resto.

Cultural contrastContraste cultural © Skyoctane

Essa artigo do João Pereira Coutinho, publicado dia 21/07/08 na Folha Online, reflete exatamente o que eu penso sobre tolerância religiosa. A liberdade cultural e religiosa é crucial para que possamos viver em paz, e principalmente para que tenhamos oportunidade de aprender com as outras religiões e culturas. Se eu fosse governante, certamente criaria uma lei que desse oportunidade a todos os cidadãos do meu país a passar pelo menos uma semana em um outro país/cultura.

É impressionante o quanto aprendemos quando conhecemos lugares mais desenvolvidos/menos desenvolvidos, religiões mais liberais/menos liberais, e assim por diante. E, tenho certeza de que, se todas as pessoas do mundo tivessem oportunidade de conhecer um ambiente diferente do qual nasceram, o mundo seria um lugar melhor, muito melhor.

10 Respostas

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  1. Barbrinha said, on julho 22, 2008 at 10:37 am

    Tambem idealizo um mundo assim, e acredito que um dia possamos viver tranquilos em todos os lugares, sem nos importarmos com a religiao do outro….

    Se pensassemos assim, a maioria das guerras perderiam o sentido e no iriamos ganhar muito com isso……

    Ainda tenho esperancas que isso possa a vir acontecer……..

    E como diria a musica…..”ado ado ado….cada um no seu quadrado”…..kkkkkk

    Beijos De, saudades….

    Fiquem com Deus

  2. Denise Neves Santos said, on julho 22, 2008 at 10:50 am

    Cada um no-seu-quadrado, cada um no seu quadrado!!

  3. Renata Assis said, on julho 22, 2008 at 10:54 am

    kkkkkkkkkkk
    morri de rir desse video!!!!
    kkkkkkkkkk
    Voces me matam……
    Beijoca!

  4. joaoccc said, on julho 22, 2008 at 11:30 am

    Se voce tivesse um pais e fizesse a lei para as pessoas irem conhecer outras culturas, de onde voce ia tirar a grana para financiar esse vital programa social??

    Torca para ter muito petroleo no seu pais!!!!

    Brincadeiras a perte, gostei do artigo tambem e concordo 100%.

  5. Denise Neves Santos said, on julho 22, 2008 at 11:55 am

    Eu ia tirar essa verba super-tributando a indústria tabagista!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  6. falcao007 said, on julho 22, 2008 at 1:31 pm

    Aqui no Brasil, não chega a ter guerras santas, porém os evangélicos são intolerantes em muitos aspectos, às vezes é até complicado conversar com um evangélicol, eles são fanáticos e dá a impressão que Deus só existe para eles. Eu não tenho preconceitos, afinal de contas conheço evangélicos de diversas igrejas (Batista, Universal, Deus é Amor, Adventista, Congregação) , conheço gente da Macumba, Candomblé , Mesa Branca, minha Mãe é católica fervorosa , sem contar que de uns tempos para cá , vem aumentando e muito o número de Ateus, enfim viva a Liberdade.

  7. Denise Neves Santos said, on julho 22, 2008 at 1:41 pm

    “… gente da Macumba, Candomblé , Mesa Branca …”, hahahaha, genial!

  8. Beth Q. said, on julho 22, 2008 at 5:57 pm

    Perfeito o que você disse, Denise, ainda mais se para tirar “money” para isso, tributasse a indústria tabagista.
    Mas, desculpem-me os religiosos seja qual religião for, acho particularmente que religiões é que causam guerras e confrontos. Digo isto pela observação e análise que faço do mundo e, do alto dos meus enta e poucos anos, sou feliz agora, sem professar nenhuma religião, apenas adorando a Deus e respeitando o próximo como a mim mesmo. Pronto! Sou tão mais feliz assim!
    abraço carioca

  9. barbrinha said, on agosto 6, 2008 at 8:44 am

    Oba ja estou em dia….hehehhehe…saudades

    Beijos e fiquem com Deus

  10. Sandra said, on novembro 28, 2008 at 11:51 pm

    Esse texto ficou lindo, parabéns. Exatamente a minha praia: “A tolerância é um valor crucial. Mas a tolerância termina perante a intolerância dos outros”. Um abraco, Sandra


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