A pororoca do Tâmisa
Até hoje eu me lembro das aulas de História da Professora Regina (e também da Maria Cecília) no Colégio Santa Maria, onde aprendíamos sobre a civilização ocidental, as grandes capitais européias e seus rios. Rio Sena em Paris, Rio Tibre em Roma, Rio Tejo em Lisboa, Rio Danúbio e Rio Reno, que banham uma porrada de lugares, e, finalmente, o Rio Tâmisa, que divide Londres em grande estilo.
Pois quem vê o Tâmisa todo imponente com o Big Ben e o London Eye, não imagina que ele não passa de um riacho alguns kilômetros antes de chegar em Londres. Sua geografia é bem interessante. Ele vai alargando de maneira impressionante, até que no encontro com o Mar do Norte, sua pororoca tem alguns kilômetros de largura.
Pois é lá na pororoca do Tâmisa que fica o maior “pier de lazer” do mundo. Eu nem sabia que existiam diferentes categorias de pier, mas faz muito sentido, afinal, nesse pier não se atraca nada. Ele existe apenas para as pessoas caminharem. 2158 metros de pura inutilidade. A cidade onte o esse pier fica, chama-se Southend-on-sea (traduzindo: fim-do-sul-no-mar). Mas bem que poderia se chamar Worldend-on-sea (fim-do-mundo-no-mar), pois esse é, até agora, um dos lugares mais feios que eu já fui na minha vida, e, indubitavelmente, o lugar mais feio (e sujo) que eu já fui no Reino Unido.
Por ser tão feio, quase nao tirei fotografias. Descobri que não gosto de fotografar coisas feias. Mas fica a lição: tem que documentar a feiúra mesmo assim. Vou ficar devendo as fotos da realidade.
Com uns cassinos bem bizarros, restos de comida e muito lixo espalhados pelo chão, adolescentes escandalosos e um povão bem feio e mal-educado, Southend-on-sea é um lugar bem decepcionante.
Tudo bem que tempo cinza também não ajudou muito. Pelo menos não choveu.
Até as leis são desrespeitadas lá, algo que eu quase não vejo aqui no Reino Unido (se tem uma coisa que as pessoas fazem por aqui é respeitar as leis). Ao longo de nossa caminhada pelo pier, pudemos notar pelo caminho umas plaquinhas, nas quais estava escrito: “é proibido pescar”.
Pois essas plaquinhas eram solenemente ignoradas por pescadores delinquentes, que insistiam em fisgar alguma coisa da beirada do pier. Eu usei o João como disfarce e fotografei esses pescadores fora-da-lei em ação como podemos observar na fotografia ao lado.
É, não adianta. Povão é povão em qualquer lugar do mundo. Não importa se estão no primeiro, segundo ou décimo mundo. Assim que encontram uma oportunidade de fazer algo errado… simplesmente o fazem!
P.S. O João também colocou as impressões dele sobre a pororoca do Tâmisa em seu blog. Vale a pena conferir! Para visualizar clique aqui.






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