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Rio de Janeiro

Enviado em Brasil, Música, Turismo by Denise Neves Santos em Julho 8th, 2008

Cidade maravilhosa, és minha
O poente na espinha das tuas montanhas
Quase arromba a retina de quem vê

CopacabanaCopacabana © Laszlo-photo

Chico Buarque não estava mentindo quando gravou a música “Carioca”, faixa introdutória do disco As Cidades. Como boa paulistana, sempre tive muito preconceito em relação ao Rio de Janeiro e seus habitantes. Assim como não gosto dos argentinos quando o assunto é futebol (quem gosta?). Brincadeiras à parte, há uma razão um tanto óbvia para a rixa entre paulistas e cariocas: o Rio é simplesmente lindo. De morrer. Não que São Paulo também não seja, mas digamos que a beleza paulistana é “menos facilmente visível”.

Não há nada melhor do que ser turista na Cidade Maravilhosa. Sol, praia, aquelas pessoas todas correndo pelo calçadão, passeando com bebês e andando de bicicleta… A atmosfera por lá é outra; e com uma infra-estrutura de dar inveja a qualquer país de primeiro-mundo, o Rio dá um show para os turistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros.

Baia da GuanabaraBaía da Guanabara © Denisol

Do Bondinho ao Corcovado, passando por Copacabana e Confeitaria Colombo, fiz todos os passeios turísticos aos quais eu tenho direito.

Com um ingresso de R$35,00 por pessoa, o bondinho até o topo do Pão de Açúcar vale cada centavo. Pode parecer um pouco caro para um país onde o salário mínimo é R$415,00, mas a verdade é que esse é o preço que se paga para acessar a qualquer atração turística pelo mundo afora. Tudo muito limpo e organizado, dos vendedores de cartão “Zona Azul” (que no Rio chama-se “Rotativo”) às lojinhas de souvenir e jóias nas atrações.

Copacabana SunrisePoente na espinha das montanhas
© Miguel Valle de Figueiredo

No Pão de Açúcar, a vista é de tirar o fôlego (e o bondinho é de tirar o fôlego também… mas de medo!! Ele sacode, é todo de vidro, você olha pra baixo… ui…), mas é no alto do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, que entendemos o significado das palavras “Cidade Maravilhosa”. Não há fotos ou vídeos que transmitam aquela paisagem do jeito que ela realmente é. E só quem já foi lá em cima entende o que eu estou falando.

Escrever sobre o Rio me emociona. Lá foi o berço do que temos de melhor no Brasil: a nossa música*. De Tom Jobim a Chico Buarque, todos os meus músicos preferidos vieram, ou passaram por lá. Também, é difícil não ficar inspirado com tanta beleza.

*Vale ressaltar que, não contentes em somente produzir o melhor da música brasileira, é claro que os cariocas fizeram questão de produzir também o pior da música brasileira (conhecido vulgarmente como “funk carioca”).

Capitalismo pelo mundo

Enviado em Internet by Denise Neves Santos em Julho 5th, 2008

Recebi esse email de um colega dos tempos de Liceu e achei genial! Dei muita risada!

Capitalismo ideal
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. O rebanho se multiplica e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se… rico!

Capitalismo americano
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

Capitalismo francês
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

Capitalismo canadense
Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas  morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

Capitalismo japonês
Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

Capitalismo italiano
Você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!

Capitalismo britânico
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

Capitalismo holandês
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

Capitalismo alemão
Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de quantidade, horário estudado, elaborado e previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

Capitalismo russo
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de
novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

Capitalismo suíço
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

Capitalismo espanhol
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

Capitalismo português
Você tem duas vacas… E reclama porque seu rebanho não cresce…

Capitalismo chinês
Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

Capitalismo hindu
Você tem duas vacas. Ai, de quem tocar nelas.

Capitalismo argentino
Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas a mugirem em inglês…
As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

Capitalismo brasileiro
Você tem duas vacas. Uma delas é roubada… O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela posse de Vaca. Um fiscal vem e lhe autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo…

Almoço

Enviado em Londres, Vida by Denise Neves Santos em Julho 4th, 2008
Fró e eu © Denisol

Se tem uma coisa que eu sinto muita falta aqui é do meu horário de almoço no Brasil. Principalmente durante o ano passado, quando eu e o Felipão nos benfizemos de memoráveis almoços, quase diários, pela Zona Oeste de São Paulo. Do Bar do Sacha ao Frangó, passando pela padoca da Fradique Coutinho, íamos sempre onde a Original estava mais gelada.

No Brasil, a hora do almoço é uma hora sagrada: todos deixam o seu posto de trabalho, sentam em uma mesa (seja em um restaurante, praça-de-alimentação ou “copa” do escritório) e comem. Depois voltam a trabalhar. Como todo mundo sempre entra um pouquinho mais tarde no trabalho, é normal demorar um pouquinho mais durante a refeição, afinal, todo mundo vai ficar no escritório até mais tarde mesmo.

Na Inglaterra é diferente. As pessoas tentam almoçar no menor tempo possível para poder sair mais cedo do escritório. Mas como fazer para almoçar rápido? Simples: sanduíche natural gelado, devorado em frente ao computador, na sua mesa de trabalho (enquanto voce trabalha, claro). Muitas pessoas trazem marmita de casa, já que na rua é difícil comprar um sanduíche e um suco por menos de £5.00.

Eu ainda não me acostumei com a idéia de almoçar na mesa, e sempre saio para almoçar fora. Agora que é verão, vamos sempre almoçar no parque: passamos na lojinha de sanduíches naturais, depois vamos ao parque e sentamos na grama para comer, tomando um pouco de sol.

No Brasil isso também é conhecido como farofa.

Férias, feriado

Enviado em Londres, Vida by Denise Neves Santos em Julho 3rd, 2008
É nóis em Brasília © Denisol

No Brasil, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) assegura que o trabalhador, após 12 meses trabalhados, tem direito a gozar 30 dias corridos de férias. Além do mês de férias, existem dezenas de feriados por ano. É dia de “santo disso” e “consciência daquilo” que não acaba mais. Sem contar as famosas “pontes” que fazem com que haja pelo menos um feriado prolongado por mês. Digo “pelo menos” pois em novembro do ano passado, por exemplo, fiquei chocada com o seguinte fato:

  • Quinta-feira, 15 de novembro de 2007: Feriado de Proclamação da República;
  • Sexta-feira, 16 de novembro de 2007: Ponte!
  • Sábado (17) e domingo (18): final-de-semana;
  • Segunda-feira, 19 de novembro de 2007: Ponte!
  • Terça-feira, 20 de novembro de 2007: Feriado da Consciência Negra.

Isso significa que 4 dos 22 “dias úteis” do último novembro, foram “inúteis”. Praticamente 20%.

Aqui não é assim.

Para começar, no Reino Unido existem 8 feriados por ano. Esses 8 dias incluem Natal, Ano Novo, e pontes. Os feriados são:

Hora da viradaAno Novo na praia © Denisol
  • 1 de janeiro: Ano Novo;
  • Sexta-feira Santa (antes da páscoa);
  • Segunda-feira depois da páscoa;
  • Primeira segunda-feira de maio: feriado de maio;
  • Última segunda-feira de maio: feriado da primavera;
  • Última segunda-feira de agosto: feriado de verão;
  • 25 de dezembro: Natal;
  • Dia antes ou depois do Natal: ponte de Natal;

Observação: se o Natal ou Ano Novo acontecerem em um final-de-semana, você não perde o feriado (era só o que faltava!). Por exemplo: se o Natal for sábado, o feriado de Natal passa a ser na segunda-feira seguinte (dia 27), e a “ponte de Natal” passa a ser na terça-feira (dia 28).

Além dos feriados, temos de 20 a 25 dias de férias por ano, dependendo do empregador. Eu, por exemplo, tenho 22 dias, além de férias coletivas entre o Natal e o Ano Novo. Esses 22 dias são “úteis”, e não “corridos” como no Brasil. A lei permite que você tire até 10 dias corridos de férias (ou seja, duas semanas). Vantagens e desvantagens em relação ao sistema brasileiro (na minha opinião):

1. Não é preciso trabalhar durante um ano para ter direito a férias. Assim que se começa a trabalhar, você pode tirar os dias proporcionais ao ano que, teoricamente, você vai trabalhar. Por exemplo: o ano fiscal aqui começa em abril. Se você começar a trabalhar em abril, tem direito a 22 dias. Se começar em novembro, tem direito a 9 dias (que obrigatoriamente devem ser tirados até abril do próximo ano).

2. Como não é possível tirar mais do que duas semanas seguidas de férias, é muito mais fácil usufruir desse direito (conheço muita gente no Brasil que não consegue tirar férias há anos). Ninguém precisa ser treinado para ficar no seu lugar, e também não dá tempo das pessoas perceberem que você não faz falta, hahaha.

3. O processo é desburocratizado. Quer tirar dois dias de férias semana que vem para fazer o seu próprio feriado prolongado? Sem problemas! Férias é um direito seu que deve ser respeitado, e aqui eles, de fato, respeitam!

Por que na China os chineses preferem filhos homens?

Enviado em Vida by Denise Neves Santos em Junho 30th, 2008
Choir on The Great Wall of ChinaCoral infantil sobre a muralha da China © North Sullivan

Hoje eu estava comentando no blog da Bárbara sobre o fato dos árabes preferirem filhos homens. Acabei me empolgando e resolvi explicar também por que na China os chineses preferem ter filhos homens.

Já é sabido que o sobrenome da mãe sempre “morre” na filha mulher. No Brasil, ainda temos a sorte de possuirmos e carregarmos o sobrenome materno, mas na maior parte dos lugares não é assim. Aparentemente o Brasil é o único lugar onde os rebentos recebem graciosamente o sobrenome da mãe (até onde eu sei, pois nunca vi isso acontecendo em algum outro lugar). E, nas arábias, de acordo com a Bárbara, o sobrenome é uma das principais razões para se preferir um filho menino ao invés de menina.

Pode ser que na China ocorra o fato do sobrenome também, eu não sei, mas uma das razões pela qual os chineses preferem filhos homens é porque quando as filhas mulheres se casam, elas se integram à família do marido, assim os pais das mulheres não têm ninguém para cuidar deles na velhice. As filhas também são vistas como uma dívida, já que os pais terão que pagar um dote para que ela se case. Como na China quase todo mundo tem um único filho, é normal que os primogênitos do sexo feminino sejam abandonados ou até mesmo assassinados, na espera de que, na segunda tentaviva, venha um menino.

CHINA - The Gang Of 6Crianças chinesas © BoazImages

Lá há também roubo de crianças. Meninos até 6 anos de idade são sequestrados e comprados por famílias que “adotam” essa criança. Como há muita pobreza, muitas vezes os pais dos filhos roubados não têm o que fazer para procurar o filho e trazê-lo de volta. O mais impressionante é que as “novas famílias” vão ao cartório e registram as crianças (de até 6 anos de idade!) normalmente, e as autoridades não fazem nada!

Também acontecem sequestro de adolescentes mulheres para casamento (é claro que com assasinato de bebês meninas e roubo de bebês meninos, havia de acontecer um desbalanço em algum momento). Eles sequestram as meninas, que são vendidas para um “noivo”. Engraçado que eles escolhem as mais tímidas e obedientes, pois eles sabem que se sequastrarem uma adolescente mais “moderninha”, ela vai fugir mais cedo ou mais tarde.

Esse post foi inspirado no documentário “China’s Lost Children”, produzido pelo Channel 4. No entanto encontrei alguns artigos em português aos que se interessarem pelo assunto:

Brasileiros em Londres

Enviado em Londres by Denise Neves Santos em Junho 28th, 2008
Big BenBig Ben © Denisol

Atualmente estima-se que existem aproximadamente 160 mil brasileiros vivendo em Londres (é por isso que todo mundo conhece alguém em Londres), e infelizmente os brasileiros não são muito idolatrados por aqui, se é que vocês me entendem. A maior parte dos conterrâneos que aqui estão são imigrantes em situação irregular.

Durante os últimos 10 anos, a enxurrada de brasileiros para a terra da rainha trouxe coisas boas e ruins.

Dentre as coisas boas vejo que o Brasil faz mais parte da vida das pessoas (embora muita gente ainda ache que falamos espanhol), de chinelos a caipirinhas.

Já o ruim é que o brasileiro já está automaticamente associado à atividades profissionais menos nobres. Quando se tem uma profissão qualificada, normalmente o estrangeiro pensa que você é de qualquer outro lugar que não o Brasil. Eles ficam um tanto surpresos quando descobrem que você é brasileiro. E automaticamente começam a falar de i) futebol, ii) férias, iii) carnaval. Como muitas pessoas já estiveram por aí, muitas vezes a pauta é o problema sócio-econômico do Brasil, o qual eu adoro discutir.

O mais engraçado é que a maior parte desses 160 mil brasileiros que aqui estão (eu diria uns 159 mil) ainda não perceberam que eles não estão sozinhos. Cansei de ouvir histórias constrangedoras no ônibus e metrô de brasileiros que achavam que ninguém no recinto falava/entendia português. Mas só esse assunto já é capaz de gerar um outro post, hehe.

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O descompromisso com o compromisso

Enviado em Londres, Vida by Denise Neves Santos em Junho 27th, 2008
SalvadorSalvador, Bahia - Brasil © Denisol

Um dos maiores desafios na adaptação em um outro país é, sem dúvida, a nova cultura. Não que seja fácil acostumar-se com o frio (ou o calor excessivo), com o idioma novo, com os supermercados, hospitais, trabalho, enfim… porém encaixar-se culturalmente em um novo país, como se voce sempre estivesse ali, é um desafio e tanto.

Ainda mais para um brasileiro.

No Brasil somos muito alegres, expansivos, conversamos com todo mundo e não temos medo de olhar nos olhos das outras pessoas. Com toda essa extroversão, é muito fácil manter relacionamento de amizade com infinitas pessoas. Todos conhecem alguém, que conhece alguém, que conhece o Kevin Bacon. E isso é de verdade!

Baia da GuanabaraRio de Janeiro, RJ - Brasil © Denisol

No Brasil não damos muita satisfação. Alguém fala: “Ah, vamos fazer tal coisa semana que vem”, respondemos que sim, e, na maior parte das vezes, esse compromisso cai no esquecimento.

Confirmamos presença em um evento, e motivos que nem sempre são importantes - como preguiça e chuva - já são um empecilho para que o compromisso não seja cumprido. A verdade é que ninguém liga muito. Quem foi, foi; quem não foi, certamente perdeu bons momentos, mas tudo bem. Ninguém vai morrer por causa disso.

Aqui não é assim.

Quando se combina alguma coisa, está combinado. Não se consegue marcar nada com um inglês com menos de uma semana de antecedência. Então é muito comum acontecer: “Vamos jantar lá em casa no final-de-semana do dia 12 de julho?”, se responde: “Tá bom”, e está combinado. Mesmo. Mesmo que você não veja ou fale com essa pessoa pelas próximas semanas.

Mark, Stuart
Mark e Stuart, nossos amigos ingleses © Denisol

O pior é que esses acordos geralmente são firmados após algumas pints de cerveja, o que faz com que fique ainda mais fácil esquecer do que foi combinado e passar a maior vergonha quando o tal dia chega e a pessoa te liga: “Cadê você?”.

Tive que comprar uma agenda. Ela é linda e está sempre comigo , assim não corro o risco de mais foras. As pessoas me perguntam o que eu vou fazer no dia tal, e eu sempre tenho uma resposta acurada. Com isso, fiquei mal-acostumada, porém os meus conterrâneos não se comportam de tal maneira “inglesa”. Muitas vezes convido amigos brasileiros para almoçarem na minha casa, por exemplo, chega na hora, ninguém aparece. É um pouco chato, pois eu certamente deixei de atender a outros compromissos, me preparei para o evento, etc. Falta de consideração? Talvez. Mas ninguém vai morrer por causa disso.

Cabeça Dinossauro

Enviado em Londres, Música, Vida by Denise Neves Santos em Junho 26th, 2008
St John's WoodVista da minha janela © Denisol

Hoje acordei muito cansada. Ultimamente tenho feito tantas coisas que os dias tornaram-se muito curtos. Além de trabalhar, escrever em blog, ler blog, comentar em blog (além de outras tarefas digitais incluindo emails, facebook, flickr, etc), ir à academia, fazer compras, também é preciso manter a casa em ordem, o que é uma tarefa hercúlea, coisa que eu não faço há tempos. Imaginem agora o estado de organização das minhas coisas. Meu guarda-roupas = caos. Só não tem bicho lá porque tenho uma santa ajudante que deixa a minha casa sempre limpinha!

Todo esse parágrafo foi só para falar que todas as vezes em que eu acordo completamente cansada, lembro-me da música dos Titãs: “Tô cansado!”, onde Branco Mello, sem pudor algum, grita, dentre outras coisas:

Tô cansado do meu cabelo
Tô cansado da minha cara
Tô cansado de coisa vulgar
Tô cansado de coisa rara
Tô cansadooooooooooooooooo-ô… Tô CANSADO!

Cabeca dinossauroTitãs -
Cabeça Dinossauro

O disco Cabeça Dinossauro é um clássico, um ícone. Gravado em 1986 – bem no meio do que considero a pior década da história musical – logo após a queda da ditadura, a impressão que se tem é de que toda a revolta acumulada pela turma de Arnaldo Antunes foi colocada para fora assim, de repente, nesse disco.

É uma agressão gratuita atrás da outra. Com faixas como Polícia e Igreja, eles não perdoaram ninguém. Rebeldes sem causa? Pode até ser. Mas a não-causa deles criou o melhor disco de rock da história da música brasileira.

Goodness Gracious Me

Enviado em Londres by Denise Neves Santos em Junho 25th, 2008
St John's Wood High StreetLondres © Denisol

Indubitavelmente, Londres é um dos lugares mais cosmopolitas do mundo. Se não for, somente pode perder para Nova Iorque. Como nunca morei em Nova Iorque, não tenho conhecimento suficiente para comparar os dois lugares. Quiçá Senhor e Senhora Moraes Ribeiro, que viveram nos dois lugares, possam solucionar a minha dúvida. Que cidade é mais cosmopolita?

Enfim, tudo isso para dizer que, por causa de toda essa diversidade, Londres é um poço sem fundo de cultura. Desde restaurantes etíopes* até cervejas polacas de álcool 9%, só aqui seria possível conhecermos detalhes culturais que teoricamente seriam apenas acessíveis se fôssemos a esses países.

Goodness Gracious MeGoodness Gracious Me © BBC

E tudo isso para dizer que, zapeando os canais há alguns dias, deparei-me com um programa de humor chamado “Goodness Gracious Me”. Pois o “Goodness Gracious Me” nada mais é do que um programa de humor voltado à comunidade indiana, com o formato do programa “Zorra Total”, porém com qualidade infinitamente superior, e elenco altamente talentoso.

As personagens têm sotaque, os esteriótipos são acentuados (acentuadíssimos), uma fórmula que poderia facilmente ter sido desastrosa e no entanto foi o maior sucesso, afinal, a comédia trata com muito respeito a cultura indiana e suas peculiaridades.

Dei muitas risadas assistindo “Goodness Gracious Me”, espero que voce também goste!

Clique aqui** para assistir.

* O restaurante etíope era uma piada de muito mau gosto. No entanto qual não foi a minha surpresa ao descobrir uma lista de restaurantes etíopes no Reino Unido?

** Infelizmente o vídeo não possui legendas.

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Religião

Enviado em Vida by Denise Neves Santos em Junho 24th, 2008
VaticanoO Vaticano e toda a sua imponência
© Denisol

Dizem que futebol, política e religião não se discutem. Eu concordo. Mas não posso negar que ADOOOORO discutir esses temas (entre outros, claro). Primeiro porque tenho uma opinião formada sobre tudo. Segundo porque sou uma metamorfose ambulante e vivo mudando de opinião de acordo com as informações novas que vou recebendo (e digerindo – o que, cá entre nós, não é uma tarefa muito fácil).

No Brasil, eu já convivia com algumas religiões diferentes: durante os anos de colégio, eu tinha um colega muçulmano, do qual eu morria de fliksk porque ele era dispensado das aulas de Ensino Religioso. Mal sabia eu que essas aulas mudariam o sentido da minha vida (já explico o porquê).

Templo Zu LaiTemplo Zu Lai © Denisol

Durante a faculdade, experimentei o contato com todos os tipos de evangélicos possíveis, aprendi inclusive as diferenças entre as doutrinas de cada uma das facções evangélicas. Tenho incontáveis amigos judeus, e minha mãe é a pessoa mais católica do cosmos. Carola mesmo. Daquele tipo que vai à missa todos os dias (pois é, tem missa todos os dias. Eu também pensava que era só domingo).

Pois eu estudei em um colégio de freiras norte-americanas. Nas aulas de Ensino Religioso, debatíamos passagens bíblicas, discutíamos sobre outras religiões, a origem do mundo, etc. E, durante uma aula em 1993 (eu estava na terceira série), o Professor José Antônio questionou a existência de Deus. Creio que nenhum dos meus outros colegas de 9 anos de idade prestou atenção, ou até mesmo entendeu o que ele estava falando. Mas eu nunca mais esqueci aquele momento, que com certeza marcou a minha vida.

Nasir-almolk by Maryam.zMesquita Nasir-almolk, em Shiraz - Irã
© Maryam.z

Como todo bom brasileiro, tenho formação católica. Sou batizada, fiz primeira-comunhão. Parei por aí, pois depois daquela aula, a religião católica não servia mais para mim. E assim segui a minha busca religiosa. Sempre estudando e pesquisando. E quanto mais eu estudo e aprendo, menos acredito em encontrar alguma religião que sirva integralmente para mim.

Assim sendo, eu sou de todas as religiões, e ao mesmo tempo de nenhuma.

Respeito e me emociono com todas, aproveito para mim o que considero melhor de cada uma, seja na filosofia, na doutrina, na cultura.

Aplico essas coisas boas no meu dia-a-dia e deixo a vida me levar (vida leva eu)!

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